quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Acolhimento: a arte do encontro e a escuta sensível

Durante a prática da escuta sensível entendo como necessário o exercício da alteridade, colocar-se no lugar do outro e a partir disso conseguir compreender qual postura adotar diante da situação. Esse processo faz parte do acolhimento e deve ser singularizado, ou seja, seus encaminhamentos desenvolvidos a partir de cada situação, sem normas ou prescrições. Em diversas situações, o problema pode ser resolvido sem a necessidade de nenhum encaminhamento, pois a necessidade do outro está em ser ouvido. Ao relatar seu problema para o "outro" temos oportunidade de ressignificar a situação que está sendo relatada e reavaliar nossa própria postura naquele contexto.

De acordo com Merhy (2013), o encontro com o "outro" é uma arte a céu aberto e se faz no cotidiano. Quando encontramos alguém, encontramos uma obra de arte, pois todos na produção de suas existências produzem obras de arte. A própria existência é uma obra de arte tão instigante quanto qualquer pintura genial. As obras de arte nos convocam a colocar nosso corpo sensível antes dos nossos pensamentos. A obra de arte consegue nos convocar sensivelmente para depois pensar. Quando chegamos pensando antes para ver a obra, nós não conseguimos ver a obra, pois não deixamos a obra nos ver antes. Isso é uma questão fundamental na área da saúde: quando estamos na prática de cuidado e não conseguimos ver o "outro" que está nos vendo, reproduzimos a mesma coisa, chegamos com o pensamento antes, com o corpo pensamento antes. Quando não chegamos com o corpo sensível no encontro com o "outro", que é uma obra de arte, para se expor ao momento e explorar a riqueza desse momento, que é a riqueza artística da existência de cada um. Quem não conseguir fazer isso, na área da saúde, sempre fica devendo na prática de cuidado, porque ele acha que está cuidando do "outro" sem nem saber quem é esse "outro".

O trecho acima foi transcrito da entrevista do Emersom Elias Merhy para Rádio Web Saúde UFRGS, durante a realização do Encontro Regional Sudeste da Rede Unida no Parque Inhotim - Minas Gerais, realizado em agosto de 2013. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=_F_g5ihrJtA
Acesso em: 20 de ago. de 2014.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

ITINERÂNCIA NA ATENÇÃO BÁSICA


  • Unidade da Saúde da Família Osmar Freitas:

Fachada da USF Osmar Freitas. Foto: Amanda Brito de Freitas.

Localizada na Rua Jorge Simon, 146 - Bairro Santa Tereza. A Unidade funciona de segunda à sexta no turno da manhã das 8h às 12h e no turno da tarde das 13h às 17h. Jonathan da Rosa, enfermeiro e coordenador, não estava presente no momento da visita. Fomos recebidos por uma enfermeira da equipe, que nos mostrou a estrutura física e relatou sobre as ações e serviços ofertados. 

A unidade comporta duas equipes da Estratégia Saúde da Família - ESF, as quais, contam com nove agentes comunitários, divididos em doze micro-áreas; dois médicos de família, sendo um deles do Programa Mais Médicos; dois enfermeiros; quatro técnicos de enfermagem; e não possui Equipe de Saúde Bucal. A demanda odontológica é encaminhada à Unidade Básica de Saúde Vila dos Comerciários. De forma complementar, ainda, fazem parte da equipe: dois estagiários de medicina (doutorandos), dois monitores do PET do curso de enfermagem e um médico residente em Saúde da Família. 

Foto do painel do serviço com divulgação dos grupos oferecidos. Foto: Fabiano Barnart.
As reuniões de equipe ocorrem todas as quintas das 15h às 17h, e uma vez ao mês das 13h às 17h. Entre as ofertas de ações e serviços, estão os grupos de educação em saúde, que abordam Tabagismo, Nutrição (compreendendo obesidade e diabetes), Gestantes, Asma-Rinite, Caminhada, Saúde Mental, Terapia Comunitária e Convivência. Além disso, constam visitas domiciliares e o Programa Saúde na Escola (PSE) e serviços básicos como: teste do pezinho, vacinas, curativos, nebulização, teste rápido (HIV, sífilis, hepatites e gravidez), farmácia básica para dispensação de medicamentos, consultas em geral, pré-natal, puericultura, preventivo e acolhimento.

No acolhimento, que é realizado em todos os turnos, não se trabalha com fichas ou horários pré-agendados. As equipes são matriciadas pelo Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) - Glória para discussão de casos considerados complexos, e quando há necessidade de encaminhamentos para especialistas contam com o sistema de regulação de consultas ambulatoriais especializadas (AGHOS).

Sementes de uma Horta Comunitária. Foto: Fabiano Barnart
As equipes criaram um jornal da Unidade como forma de acesso à informação para os usuários. Através da aproximação com a comunidade, os profissionais conseguiram uma abertura para utilizar o centro comunitário para as reuniões de grupos. Um projeto futuro foi idealizado com a pretensão de construção de uma horta comunitária vertical envolvendo usuários da saúde mental.
 
  • Unidade de Saúde da Família Estrada dos Alpes:

O serviço está localizado na Estrada dos Alpes, 671 - Bairro Teresópolis. O horário de funcionamento é a partir das 8h até 12h e das 13h até 17h. A unidade foi reformada recentemente, o Centro Comunitário está localizado embaixo da unidade, local utilizado eventualmente pelo serviço para realização de grupos, reuniões e outras atividades.

A unidade possui uma equipe de saúde da Família (ESF) e uma equipe de saúde bucal (ESB). A ESF é formada por um médio espanhol (Programa Mais Médicos), uma enfermeira (coordenadora do serviço), duas técnicas de enfermagem e quatro agentes comunitários de saúde, sendo uma delas agente comunitária da comunidade quilombola. A ESB é formada por uma dentista, com carga horária de 20h semanais, uma auxiliar de saúde bucal e uma técnica de saúde bucal.

O acolhimento é realizado com todos os usuários que chegam ao serviço, independente de dia/horário, segundo a técnica de saúde bucal é o grande diferencial do serviço, pois nenhum usuário que chega ao serviço sai sem resposta. A implementação do acolhimento é um desafio para a equipe, pois parte comunidade ainda está acostumada com o sistema distribuição de fichas e especialidades, quando o serviço ainda era uma unidade básica de saúde, alguns usuários ainda chegam ao serviço solicitando as fichas.


A realização do teste rápido para HIV, sífilis e hepatites é realizado de acordo com a demanda que chega à unidade, a qualquer momento e é bastante divulgado na unidade, possui cartazes informativos sobre sua realização em todos os consultórios e na recepção. Segundo a profissional que nos recebeu, na população da área de atuação existe grande prevalência de usuários portadores de HIV e alta incidência de tuberculose e sífilis.

O telefone da ouvidoria do SUS é divulgado na recepção da unidade, conforme preconizado, também são divulgados informações sobre cursos técnicos, de línguas estrangeiras e ofertas de emprego. Os fluxos de referência e contra referência são ruins, entretanto, a odontologia consegue realizar comunição. Um dos problemas da unidade é não possuir acesso à internet, por isso não utilizam o E-SUS e os agentes digitam as fichas semanalmente na Gerência Distrital. Em breve a unidade irá proporcionar para seus usuários um grupo de caminhada, além disso, possui o desafio da formação do conselho local de saúde com representação dos líderes comunitários dos dois territórios da área de abrangência, que possuem conflitos históricos por causa da disputa de terras entre a comunidade quilombola e a comunidade representada pela associação de moradores do Morro dos Alpes.


Tivemos a oportunidade de conhecer a Associação Quilombo do Octógono, onde fomos recebidos pela liderança do Quilombo dos Alpes, a líder comunitária Janja. De acordo com a última contagem realizada, o território do Quilombo possui 74 famílias, porém estima-se que atualmente mais de 100 famílias quilombolas morem no local. 

Os primeiros moradores chegaram ao Morro dos Alpes há cerca de 160 anos, sendo que o processo de auto reconhecimento enquanto quilombola se iniciou há 10 anos, algumas famílias ainda possuem receio em se assumir enquanto remanescente de quilombolas devido aos conflitos do passado, segundo Janja esse é um processo que deve ser respeitado e a associação desenvolve atividades para integração da comunidade e arrecadação de recursos para o desenvolvimento de projetos. Existe um processo em andamento no INCRA para que essa população receba o título de comunidade quilombola e seja oficialmente reconhecido o que irá garantir o seu direito à posse da terra.

 
A comunidade quilombola está localizada no alto do Morro dos Alpes, em local de difícil acesso e a maioria das moradias não possui saneamento básico ou coleta de lixo eficiente. A associação realiza oficinas de ervas medicinais, capoeira, costura, artesanato, culinária, agricultura familiar, dança, música, teatro e cinema. Existe um intercâmbio entre o a Associação Quilombo Octógono e um ponto de cultura do interior do estado. A oficina de capoeira ocorre as terças e quintas das 19h às 21h. Outras questões: educação e ensino (biblioteca) e religião.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Roda de Conversa sobre a Itinerância nos Territórios

A turma de residentes foi dividida em cinco grupos, que durante dois dias realizaram a itinerância nos bairros da Gerência Distrital Glória Cruzeiro Cristal.

As principais observações feitas durante o compartilhamento das experiências foram sobre as seguintes questões:

  • lixo: qual o lugar?

  • religião: subjetividade da população;

  • remoções das comunidades;

  • população em situação de rua e

  • acessibilidade para portadores de necessidades especiais.

 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Silent Grace Foundation é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que existe desde 2008, que busca fomentar o desenvolvimento sustentável comunitário através de processos participativos. Tivemos a oportunidade de conversar com Andrea Perez Homar, Diretora Executiva da organização, que compartilhou com o grupo o projeto desenvolvido na comunidade Dessources, município de Croix-des-Bouquets no Haiti. 
O projeto desenvolveu, em conjunto com a comunidade, a construção de um banheiro seco, a demanda surgiu a partir da análise de situação de saúde realizada pela equipe multiprofissional da organização.
A roda de conversa problematizou a forma de atuação de organizações não governamentais, o trabalho em equipe multidisciplinar e a atuação em territórios vulneráveis.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Coletiva: o começo de um novo ciclo

Há países sem lugar e histórias sem cronologia;
cidades planetas, continentes, universos,
cujos vestígios seria impossível rastrear em qualquer mapa ou
em qualquer céu,
muito simples porque não pertencem a lugar nenhum.
Sem dúvida, essas cidades, esses continentes,
esses planetas nasceram, como se costuma dizer,
na cabeça dos homens, ou, na verdade,
no interstício de suas palavras,
na espessura de suas narrativas, ou ainda,
no lugar sem lugar de seus sonhos, no vazio de seus corações;
numa palavras, é o doce gosto das utopias.
No entanto, acredito que há - e em toda sociedade;
utopias que têm lugar preciso e real,
um lugar que podemos situar no mapa;
utopias que têm um tempo determinado,
um tempo que podemos fixar e medir conforme o calendário de todos os dias.
É bem provável que cada grupo humano,
qualquer que seja, demarque, no espaço que ocupa,
onde realmente vive, onde trabalha,
lugares utópicos, e, no tempo em que se agita,
momentos ucrônicos.

Michel Foucault
O Corpo Utópico, as Heterotopias

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


Tragédia na Vila Liberdade e a (re)construção de um território


Hoje visitamos a comunidade da Vila Liberdade para conversar com os moradores e líderes comunitários, segundo o que foi relatado foram aproximadamente 200 moradias atingidas pelo incêndio e mais de 400 pessoas estão alojadas temporariamente na Escola Municipal de Ensino Fundamental Vereador Antônio Giúdice, localizada na Rua Caio Brandão de Melo, s/nº; no bairro Humaitá. As famílias estão no ginásio de esportes da escola que disponibilizou o espaço para acolher os desabrigados, além disso, o espaço da cozinha está sendo utilizado e foram cedidos dois funcionários da escola para fazer as refeições.




Primeiramente a comunidade está precisando de doações de alimentos, roupas, lençóis, toalhas, repelente, pasta de dente, escova de dente, papel higiênico, fraldas, brinquedos, sabonete, produtos de limpeza, etc. Os alimentos mais doados são arroz, feijão e massa, porém também precisam de outros alimentos como: azeite, sal, açúcar, leite, café solúvel, etc.






A Escola De Enfermagem Ufrgs e a Secretaria Executiva da Associação Brasileira da Rede Unida estão atuando como ponto de coleta para esses alimentos e item de necessidade básica.
Hoje recebemos muitas doações nos nossos pontos de coleta e vamos diariamente levar para comunidade, e atualizar quanto as principais necessidades para que não sobre algumas coisas e faltem outras, por isso fiquem ligados nas informações, através das comunidades Saúde Coletiva UFRGS e Caesc Ufrgs. Se alguém tiver disponibilidade de ajudar a levar as doações, pois temos apenas um carro particular que estamos usando para isso.






Sabemos da importância, nesse primeiro momento, em auxiliar os moradores nesses itens de necessidades básicas, porém quem estiver disponível para auxiliar nas atividades de organização, no local, ou escuta com as famílias para apoio psicológico e para não sobrecarregar aqueles que estão lá trabalhando e apoiando essas famílias.










Conversamos com o presidente do SindBancarios Porto Alegre, Mauro Salles e a Diretora Milena Oliveira sobre a situação na comunidade da Vila Liberdade, que prontamente se disponibilizaram para auxiliar como posto de coleta e doação de cestas básicas.



sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

DISCIPLINA DE PRÁTICAS INTEGRADAS EM SAÚDE I

Avaliação Final: Relatório de vivência interdisciplinar - Mostra Práticas Integradas em Saúde I


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

DISCIPLINA DE PRÁTICAS INTEGRADAS EM SAÚDE I

(RE)Conhecimento do Território

No primeiro cenário de práticas da disciplina, todos os estudantes e professores, visitaram  os locais onde os grupos iriam atuar durante o semestre. Durante a visita tivemos a oportunidade de conhecer as estruturas dos serviços de saúde, conversar com alguns profissionais das equipes e eventualmente com algum morador, assim como circular pelas imediações dos locais tendo a oportunidade de um primeiro contato com a população local, conhecendo e reconhecendo esse território. Na perspectiva de utilizar novas práticas pedagógicas, foi proposto o desafio de fotografarmos nossos diversos olhares durante a visita, posteriormente as fotos seriam utilizadas para que o grande grupo pudesse fazer uma análise coletiva do registro desses diversos olhares. 
A utilização da fotografia como dispositivo de reflexão nos proporciona fazer novas conexões entre os saberes, associando o campo teórico e a realidade do território registrada através do nossos olhares. Enquanto prática pedagógica inovadora, pouco utilizada nos cursos de graduação, nos permite refletir sobre as interpretações feitas dessa realidade através do nosso próprio olhar e enquanto exercício de alteridade fazer uma interpretação  do olhar do outro no momento do registro, tendo potencial para que possamos fazer uma troca de reflexões, saberes e interpretações da mesma realidade que se mostra tão diversa por diferentes olhares. 
"Muitas vezes se lêem afirmações em tom conclusivo sobre assuntos que, examinados mais de perto, poderiam ser relativizados. Sabemos todos que fotografar é permanentemente fazer escolhas,  escolhas que serão fundamentais para a construção do nosso discurso  visual – sim, porque fotografias são discursos, e mesmo quando alguns utilizam a fotografia para propor enigmas ou para não propor nada, esta será também uma forma de discursar.(ACCHUTI)" Disponível em: http://www.fotoetnografia.com.br/textos/cruzando_olhares_25-abril-2006.pdf
Assim como as "afirmações em tom conclusivo" olhadas de perto podem ser relativizadas, a interpretação da fotografia também pode ser relativizada e mesmo que essa escolha no momento do registro queira refletir o nosso olhar, sempre teremos a interpretação do outro baseada em suas crenças, valores e cultura que são as mais diversas possíveis. Mas assim como quando relemos um texto de nossa própria autoria possivelmente vamos querer fazer uma alteração, cada vez que olharmos uma fotografia teremos um interpretação diferente e também podemos dizer que ao conhecer o território sempre estaremos reconhecendo, pois o território está em constante transformação e reflete  as relações e redes que nele estão estabelecidas.
A riqueza da fotografia enquanto prática pedagógica está na troca dessas diversas interpretações, essas trocas e mudanças nas nossas interpretações, a partir do nosso próprio olhar ou em confronto com outros olhares, que refletem nosso aprendizado.


Na fotografia abaixo, estão alguns estudantes e professores da disciplina concentrados em frente a ESF Santa Anita, cenário de prática de atuação do grupo que sou componente junto com estudantes dos cursos de fisioterapia, nutrição, serviço social, medicina e uma colega da saúde coletiva.



Nesta outra foto podemos ver a Escola Estadual de Ensino Fundamental Piauí, local onde está localizado a ESF Santa Anita.






















sexta-feira, 28 de setembro de 2012

DISCIPLINA DE PRÁTICAS INTEGRADAS EM SAÚDE I


Acolhimento da Gerência Distrital Glória-Cruzeiro-Cristal


Em 14 de setembro de 2012 iniciaram as atividades da Disciplina de Práticas Integradas em Saúde I, no Auditório da Faculdade de Odontologia, no Campus Saúde da UFRGS. Neste primeiro dia, foram apresentados os objetivos da disciplina e formas de avaliação e também foi realizado a divisão dos estudantes em grupos multidisciplinares que foram designados para atuar nos cenários de prática no Distrito Docente Assistencial Glória-Cruzeiro-Cristal. 
A segunda turma da disciplina, que é oferecida na modalidade eletiva para os alunos dos cursos da saúde da UFRGS, realiza suas atividades de campo no distrito docente assistencial da universidade e foi formada por alunos de diversos cursos: nutrição, enfermagem, fisioterapia, medicina, odontologia, serviço social, saúde coletiva, etc.  
No segundo encontro, o acolhimento foi realizado no Auditório do Centro de Saúde Vila dos Comerciários, nos foi apresentado a composição do território, seus serviços de saúde, equipamentos sociais e as iniciativas da própria gerencia.
O território composto pelos serviços de saúde  Unidade de Saúde da Família Divisa, Unidade de Saúde da Família São Gabriel, Unidade de Saúde da Família Mato Grosso, Unidade de Saúde da Família Graciliano Ramos, Unidade Básica de Saúde 1º de Maio, Unidade de Saúde da Família Santa Teresa e Unidade Básica de Saúde Rincão; também nos apresentaram alguns dos equipamentos sociais localizados na gerencia: associações de bairro e moradores, conselhos locais e conselho distrital de saúde, fóruns de serviços. 
A Gerencia Distrital Glória-Cruzeiro-Cristal está implementando o Núcleo de Apoio à Saúde da Família, que tem como objetivos atuar em conjuntos com os profissionais da Estratégia de Saúde da Família, participar das reuniões de equipe dos serviços de saúde, fazer o mapeamento do território e apoiar suas práticas em saúde para que se possa ter efeito positivo na qualidade de vida da população. Sua intervenção tem como foco as necessidades dos profissionais de saúde e da população, e  como base para atuação as diretrizes da Atenção Básica em Saúde.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

"O Veneno Está na Mesa", de Silvio Tendler.

O documentário de Silvio Tendler começa denunciando que desde o ano de 2008 o Brasil é o país do mundo que mais utiliza agrotóxicos na produção agrícola, e que cada brasileiro consome em média 5,2 litros de agrotóxicos por ano. O jornalista e escritor Eduardo Galeano participa deste documentário, falando sobre o divórcio que existe entre os direitos humanos e os direitos da natureza, no que tange utilização dos agrotóxicos na produção agrícola, sendo permitido pelos países do governo progressista, em nome da produtividade justificado por um critério economicista e pelo progresso da humanidade. Isso revela a contradição existente a partir do momento que se aceita a utilização dos agrotóxicos como uma necessidade inevitável, sem levar em consideração os danos causados tanto a natureza quanto na população. O Brasil ainda permite a utilização de agrotóxicos que já são proibidos em diversos países do mundo devido ao grande perigo que oferecem à saúde pública.

No relato de diversos agricultores sobre a revolução verde, que apagou todo o acumulo de conhecimento da agricultura tradicional ao longo dos 10 mil anos da história da humanidade. Até os anos 80, a produção de produtos agrícolas a partir das sementes crioulas (tradicionais), era satisfatória para a agricultura familiar, entretanto as grandes empresas começaram a fornecer suas sementes que significaram um grande aumento nessa produção. Por exemplo, com as sementes crioulas a produção de milho por hectare era de 50 sacos, com as sementes das empresas agrícolas dobrava a produção para 100 sacos de milho por hectare, com um custo reduzido. Porém a estratégia dessas empresas fez com que os produtores perdessem o controle sobre as sementes, em dez anos já não existia mais sementes crioulas, o que os fez totalmente dependentes das sementes das grandes empresas. Atualmente, as sementes são transgênicas que forçam o agricultor a adquirir o "pacote completo" dessas empresas, que inclui os produtos químicos para que se tenha produção. Por causa desse novo modelo, de monocultura, do agronegócio dependente da utilização dos agrotóxicos para produção, está causando a contaminação das águas, do solo, das pessoas, do ar, etc. A grade questão é até quando nossa sociedade vai tolerar essa situação, do que ainda precisamos para nos dar conta que esse modelo do agronegócio só prejudica a saúde da população e a natureza e que não podemos mais aceitá-lo.

terça-feira, 10 de julho de 2012

"Ilha das Flores, de Jorge Furtado.


Já assisti algumas vezes o curta “Ilha das Flores” e concordo com algumas colocações dos colegas, tanto na mudança de perspectiva a cada vez que assisto, quanto no impacto causado ao me “deparar” com essa realidade. Ainda complemento uma das análises em relação à forma humorada da narração do curta, pois não é apenas humor, trata-se de um humor irônico, por vezes sarcástico. Essa estratégia narrativa faz com que possamos nos dar conta das nossas ações cotidianas, suas consequências e nossas próprias contradições enquanto indivíduos e coletivo. Por exemplo: colocar um tomate, que julgamos inadequado para consumo, no lixo, pois nos mostra que essa ação não se encerra no momento que o caminhão de lixo recolhe nossos restos.  Ao mesmo tempo em que nos faz refletir sobre essas ações individuais e suas consequências, também coloca em questão nosso sistema de organização econômico, o capitalismo, seus meios de produção e “distribuição” de riquezas, que regem nossa sociedade. Essa mesma sociedade que produz mais alimento do que o necessário para sua população, mesmo assim existem pessoas que comem os restos dos porcos e outros morrem de fome. 
Podemos culpar o proprietário dos porcos que permite que aquelas pessoas se alimentem? Se não fosse dessa maneira eles não teriam alternativa para sobreviver.
O curta proporciona um exercício de alteridade em muitos momentos, por exemplo: nos colocando no lugar do proprietário dos porcos ou da dona de casa que coloca o alimento no lixo. Qual deles é mais ou menos culpado?
Podemos pensar que o Estado é culpado. Mas quem é o Estado? Somos nós mesmos ou são aqueles que escolhemos para nos representar?



Enquanto sindicalista atuo na garantia dos direitos dos trabalhadores bancários, neste cenário, me deparo diariamente com a realidade de precarização do trabalho nesse setor e suas consequências para esses trabalhadores. No caso dos trabalhadores de saúde do SUS essa realidade também pode ser evidenciada. 


“Machado  mostra que ficam evidentes os limites em dois campos de atuação importantes para o desenvolvimento e consolidação do direito à saúde: o de recursos humanos (formação profissional e gestão do trabalho em saúde) e o de insumos relevantes para a saúde.”

De acordo com o texto, entre 1990 até 2002, a lacuna existente na atuação do Ministério da Saúde no campo dos recursos humanos. Tanto na formação profissional, quanto na gestão do trabalho. A precarização nas relações de trabalho dos profissionais de saúde, no SUS, existe até os dias de hoje, esses profissionais ainda não possuem plano de carreira, cargos e salários e o vinculo estabelecido através da terceirização ou de outras formas que o texto aponta como legalmente duvidosas e refletem diretamente nos direitos trabalhistas. 

Para ilustrar essa questão trago como exemplo a vivência no projeto de extensão VER SUS - Vivências e Estágios no Sistema Único de Saúde,  realizado pela Rede Unida e Ministério da Saúde, no início desse ano. Durante dez dias vários alunos tiveram a oportunidade de conhecer, na cidade de Canoas, diversos serviços de saúde vinculados a Secretaria Municipal de Saúde. Dentre as questões observadas nas vivências o grupo elegeu como uma das mais relevantes para atenção dos gestores da cidade, a questão da relação de trabalho dos profissionais de saúde. Durante a vivência foi evidente a precarização das relações de trabalho dos profissionais de saúde, pois sua grande maioria possui vinculo através de uma cooperativa, estando submetidos a grande instabilidade. Além disso, essa forma de vínculo priva esses profissionais de direitos trabalhistas básicos, como por exemplo: férias de 30 dias ao ano. A consequência disso é a grande rotatividade desses profissionais, além de profissionais desmotivados. Entendo o fortalecimento do vínculo trabalhista como uma das questões fundamentais para garantira qualidade no atendimento dos usuários do SUS.

“Narradores de Javé”, de Eliane Caffé.





O filme mostra a história da comunidade que vive no Vale de Javé, no sertão baiano. Com a construção de uma grande usina hidroelétrica próximo do local, será construída uma barragem e o povoado será inundado. Em vista disso, o povo se reúne para procurar uma alternativa e impedir que tenham que sair daquelas terras. Um dos moradores da cidade, o narrador da história, tem uma ideia: fazer com que a cidade seja tombada pelo patrimônio histórico, impedindo assim sua destruição. Para isso, os moradores precisam comprovar cientificamente sua importância histórica/cultural. 
Mas qual a importância de um pequeno vilarejo no meio do sertão baiano?
Ainda reunidos, os moradores, chegaram à conclusão que o mais importante em Javé era as narrativas de seu povo, sobre a própria história do lugar. A história de um povo guerreiro que “fugiu” ou “saiu em retirada”, expulso de onde vivia, em busca de um novo lugar. Um povo que há muitos anos atrás andou durante dias, noites, meses até encontrar o Vale de Javé. 
Antônio Biá, o único morador alfabetizado, foi a única alternativa para “registrar nas letras” a história do lugar e a partir disso criar o marco histórico e o caráter científico que precisavam para salvar o vilarejo. Há um tempo Seu Biá havia sido expulso do povoado, pois trabalhava nos correios de Javé e para manter seu emprego, mandava cartas para os seus conhecidos em outras cidades contanto histórias sobre os moradores de Javé, assim aumentava o fluxo de correspondências e mantinha seu trabalho. Quando os moradores descobriram, o expulsaram do lugar, já que suas histórias não eram muito fidedignas ("verdadeiras"). 
Para escrever o livro, Antônio, ouviu as diferentes histórias narradas pelos moradores do povoado que fizeram com que entrasse em conflito entre a realidade e a representação dos fatos apresentados nas narrativas.
Cruikshanck destaca algumas questões sobre a história oral enquanto método de pesquisa: a quem cabe formular e contar a história? Que vozes se destacam nessas discussões e quais as marginalizadas? 
Mesmo que o filme seja narrado por um morador do lugar, podemos ouvir os moradores contando sua própria história. Mesmo que seja a partir do olhar de outro, trata-se de um morador contando a história de outro morador (Antônio Biá) que tem a tarefa de registrar a história do lugar. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

DANÇA E SAÚDE


Este trabalho foi desenvolvido a partir dos vídeos assistidos em aula, UPP de Saúde, Sociedade e Humanidades IV, sobre danças circulares e biodança. As práticas de biodança e das danças circulares são fundamentadas na estruturação corporal a partir de uma vivencia interdisciplinar, utilizando a linguagem científica e poética. Essas práticas possuem objetivo educativo-terapêutico como dispositivo transformador, criando uma nova sensibilidade frente à vida. 
Os instrumentos utilizados nessas práticas corporais são exercícios individuais e/ou coletivos utilizando musica e movimento para liberação da emoção, através do desenvolvimento das potencialidades biológicas, afetivas, emocionais, criativas e sexuais. Na modalidade coletiva uma das propostas é a integração entre seus participantes, através das trocas de olhares, toques, etc. Em um dos depoimentos do vídeo a participante da atividade fala da busca do sentimento de união, sentir-se um só com o coletivo que está participando da prática. O que podemos perceber é que existe um esforço de liberação, onde seus participantes ao mesmo tempo procuram dar liberdade aos seus movimentos consigam sentir um ao outro e se integrar.
A discussão que seguiu em sala de aula tentava compreender de que forma enquanto sanitaristas, podemos pensar em inserir essas práticas no serviço de saúde. De que maneira vamos lidar com as diversidades de um população para implementar essas práticas nos serviços de saúde. Principalmente se tais práticas tiverem um viés religioso, como inserir essas danças ritualísticas nas comunidades de forma inclusiva, o desconforto e estranhamento que poderá causar nos sujeitos que não são familiarizados com determinadas culturas poderá excluir e afastar da proposta. 
Acredito que o exercício da alteridade nesse caso se torna necessário para que possamos perceber em determinada comunidade/população a sua disposição de participar de determinadas vivências.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

DIREITO SANITÁRIO: conceito, características e princípios.


CONCEITO:

O direito à saúde é decorrente dos direitos sociais incorporados pelo direito positivo, cuja realização depende da promoção de políticas públicas que objetivam tornar o Estado promotor do bem-estar social o Welfare State. No preâmbulo de sua Constituição, a OMS assim conceituou saúde:

“Saúde é o completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença e outros agravos”, deixando claro, mais adiante, que “a posse do melhor estado de saúde que o indivíduo pode atingir constitui um dos direitos fundamentais de todo ser humano”.

O Direito Sanitário é o ramo do Direito que disciplina as ações e serviços públicos e privados de interesse à saúde. Ele é formado pelo conjunto de normas jurídicas (regras e princípios) que visa à efetivação do Direito à saúde e possui um regime jurídico específico. (AITH, 2007): O Direito Sanitário se interessa tanto pelo direito à saúde, enquanto reivindicação de um direito humano, quanto pelo direito da saúde pública: um conjunto de normas jurídicas que têm por objeto a promoção, prevenção e recuperação da saúde de todos os indivíduos que compõem o povo de determinado Estado, compreendendo, portanto, ambos os ramos tradicionais em que se convencionou dividir o direito: o público e o privado. (DALLARI, 2003)

“O direito da saúde pública assenta perfeitamente o rótulo de direito administrativo que se caracteriza pelo preenchimento daqueles princípios básicos da supremacia do interesse público sobre o particular e da indisponibilidade do interesse público”. (DALLARI, 2003)

A proteção da saúde pública exige a limitação de direitos e liberdades individuais, ao mesmo tempo deve-se proteger a saúde e preservar os direitos e liberdades individuais (AITH, 2006)

Com o objetivo de reduzir os riscos de doenças e de outros agravos à saúde da população, o direito sanitário, além de condicionar e proibir condutas, também orienta os poderes públicos na adoção de medidas concretas que identifiquem os possíveis riscos à saúde que podem existir na sociedade e os órgãos públicos responsáveis na adoção de medidas cabíveis para tentar evitar que o risco se concretize ou para reduzir os possíveis danos que os riscos identificados certamente irão causar.

CARACTERÍSTICAS:

A responsabilidade e dever do Estado em promover a saúde pública;

- A atuação da Administração Pública;
- A perspectiva do interesse coletivo da sociedade;
- As relações entre o Estado e a Sociedade (tensão público e particular);
- Supremacia do Interesse Público;
- Caráter coercitivo do direito sanitário.

PRINCÍPIOS:

Princípios do Direito Sanitário:

Princípios constitucionais:

• Legalidade;
• Impessoalidade;
• Moralidade; Constitucionais
• Publicidade;
• Eficiência;

Finalidade: para o fim para que se propõe. Auto tulela: a Administração Pública tem o poder dever de controlar seus próprios atos, revendo-os e anulando-os quando houverem sido praticados com alguma ilegalidade. 
Razoabilidade: dentro da razão.
Motivação: é forma de garantir a possibilidade de controle judicial da legalidade dos atos administrativos. É o acontecimento da realidade que autoriza prática do ato administrativo.
Ampla Defesa: dispor ao infrator a ampla defesa.

REFERÊNCIAS:

• HALLA, Roger. Apresentação da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde; Secretaria Municipal de Porto Alegre. PMPA.